Alice Através do Espelho

Em 1998, lá se foram cem anos da morte do criador de Alice, o genial Lewis Carroll, dono de uma imaginação excepicional, mestre em trabalhar com uma linguagem rica em sutilezas. Sua obra – aparentemente destinada a um público infantil – é repleta de jogos enigmáticos e anagramas poéticos, cheia de situações absurdas e paradoxais. E ele mesmo brincava com isso, dizendo-se um “escritor meio esquisito que escreve umas histórias sem pé nem cabeça”.

Lewis – ou Charles Dodgson (seu nome verdadeiro) criou mundos feitos de inversões e investigações filosóficas. Numa palavra, fez “jogo” em literatura.

“Alice Através do Espelho” ruma pela mesma trilha: quer fazer teatro de jogo. Diversão e filosofia. Para isso, a encenação construiu uma espécie de “caixa mágica”, onde os sonhos de Alice se confundem com as alucinações do público. O país das maravilhas se transforma num divertido sanatório, onde todos os sonhos são possíveis.

Num espaço que privilegia as sensações, a idéia é criar uma cumplicidade, percorrer um trajeto em companhia da heroína (no caso, Alice). Imagens, cheiros, sons, toques – em suma, sensações – fazem esse pequeno mundo aliciante.

Paulo Mendes Campos, num belo texto sobre “Alice no País das Maravilhas” diz “esse livro é doido. Isto é: o sentido dele está em ti”. Esse sentido de experiência, de compreensão concreta das aventuras de Alice é que me guiaram na busca pela forma de contar uma história já tão conhecida.

Alice é assim. Possui a vontade de tirar o espectador da realidade imediata e coloca-lo na arena da imaginação, onde lógica e delírio jogam com a razão e a loucura. Um jogo onde o teatro abandona as formas tradicionais para incorporar o espectador como cúmplice de um fato estético. Não é mais um espetáculo. É um espelhotáculo.


Paulo de Moraes
(diretor)

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Ficha técnica

Elenco:

Liliana Castro            
Patrícia Selonk          
Simone Mazzer          
Sergio Medeiros         
Marcelo Guerra         
Verônica Rocha         
Marcos Martins          
Ricardo Martins         
Flávia Menezes          
Isabel Pacheco          

Direção: Paulo de Moraes
Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça
Concepção de Espaço Cênico: Paulo de Moraes
Cenografia: Paulo de Moraes e Gelson Amaral
Figurinos: João Marcelino
Adereços: Gelson Amaral
Iluminação e Trilha Sonora: Paulo de Moraes
Projeto Gráfico: Maurício Grecco
Produção Executiva: Flávia Menezes e Fernanda Camargo
Produção: Armazém Companhia de Teatro
Patrocínio: PETROBRAS