Armazém - Sobre nós

“Havia um mundo que queríamos refletir, mas a forma de refletir este mundo (e sobre este mundo) tinha para nós a mesma importância. Havia uma necessidade de que forma e conteúdo fossem uma coisa só (o que pressupõe certa arrogância, eu sei). Portanto, para nós, o importante não era tanto o gênero do teatro que fazíamos, mas a aplicação de um estilo próprio. E este estilo, a gente sabia, só seria construído com o tempo, com um espetáculo após o outro. A questão, então, era resolver na próxima montagem questões periféricas ou pouco resolvidas na montagem atual. E isso criava uma espécie de movimento em espiral”.

(Fragmento extraído do texto de apresentação de Espirais, escrito por Paulo de Moraes)


O Armazém Companhia de Teatro foi formado em 1987, em Londrina, em meio à efervescência cultural vivida pela cidade paranaense na década de 80 – de onde saíram nomes importantes no teatro, na música e na poesia. Liderados pelo diretor Paulo de Moraes, o senso de ousadia daqueles jovens buscando seu lugar no palco impregnaria para sempre os passos do grupo: a necessidade de selar um jogo com o seu espectador, a imersão num mundo paralelo, recriado sobretudo pela ação do corpo, da palavra, do tempo e do espaço.

Com sede no Rio de Janeiro desde 1998, a companhia completa agora 25 anos de sua formação. Sempre baseando seus espetáculos em pesquisas temáticas (com a criação de uma dramaturgia própria com ênfase nas relações do tempo narrativo) e formais (que se refletem na utilização do espaço, na construção da cenografia, ou nas técnicas utilizadas pelos atores para conviver com o risco de encenar em cima de um telhado, atravessando uma fina trave de madeira ou imersos na água), a questão determinante para a companhia segue sendo a arte do ator. Busca-se para o ator uma dinâmica de corpo, voz e pensamento que dê conta das múltiplas questões que seus espetáculos propõem. E a encenação caminha no mesmo sentido, já que é o corpo total do ator que a determina.

Apesar da construção de espetáculos tão díspares e complementares como “A Ratoeira é o Gato” (1993), “Alice Através do Espelho” (1999), “Toda Nudez Será Castigada” (2005) e “Antes da Coisa Toda Começar” (2010), o Armazém Companhia de Teatro segue sua trajetória sempre investindo numa linguagem fragmentada, que ordene o movimento do mundo a partir de uma lógica interna. Essa lógica interna é a voz do Armazém, talvez o grande protagonista do mundo representacional da companhia.